quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Tremenda[o] covardia

       Sempre quis me mostrar uma pessoa corajosa, daquelas que fogem da escola sem medo do castigo dos pais ou da diretoria. Daquelas sem medo de conflitos, sem medo de se impor ou de tomar as dores de outras pessoas quando elas precisam. 
       Um certo amigo meu disse que conflitos fazem parte da existência, eles são necessários para o aprendizado. Então, saindo do pressuposto de que estou fugindo dos conflitos, eu estou fugindo de aprendizado? De experiências? Eis a grande questão.
       Antes de mandar a minha madrasta tomar refresco em lugares não muito convencionais eu pesei as consequências do meu ultimato: Em troca de paz de espírito e precisava perder parte do crescimento do meu amado irmão que acabara de nascer. Eu escolhi a paz de espírito e escrevi a carta que enviei pra ela com as mãos tremendo de medo.
       Passei duas semanas inteiras sem falar com o meu pai depois disso por ele tê-la defendido, mesmo sabendo e estando presente quando ela fazia as besteiras que fez. Hoje estamos bem [eu e meu pai] e o meu irmãozinho é levado para minha casa de tempos em tempos. Antes ele me reconhecia, brincava comigo, ria pra mim, gostava de mim, hoje ele não sabe quem eu sou. Uma consequência inesperada do meu ato.
       Eu tirei uma lição depois do que fiz [Não se enganem, eu nunca me arrependi deste único ato de coragem]... Nem sempre as consequências podem ser previstas, e são justamente as imprevistas que doem mais.

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